Não entendo muito bem ainda esse processo evolutivo da vida. Todas aquelas palavras de cortesia que recebia ao entrar no colegial, por que elas têm que ser deixadas para traz como se eu estivesse em um trem e elas na estação à espera da sua viagem? Após a partida, a cada segundo a distância aumenta, a saudade aperta o coração e meu pequeno lago inunda de lágrimas. Hora penso que eu estou no trem, horas fico na estação. Para diminuir um pouco a dor, algumas palavras junto com seus falantes permaneceram ao meu lado, sem se importar se estou dentro do trem ou La fora na estação, e assim continuo a ouvir e abraçar palavras e ombros dos poucos e verdadeiros amigos que me restaram.
A maior saudade que sinto é de quando chegava um pouco atrasado, abria a porta da sala de aula e olhava em média quarenta e cinco lindos sorrisos direcionados a mim. Não importava como eles me olhavam nem como eu os olhava, não importava se o meu cabelo estava penteado ou não, se minha blusa de farda estava mal passada ou não, se eu estava com ou sem meia, nada era de interesse deles a não ser de rirem por saber que pouco tempo depois de ter entrado na sala iria ter aquela briguinha do professor falando que não aceitava os atrasos, que os atrasos não serviam pra nada, mas por conta dos atrasos eu lembro com saudade dos bons tempos.
Certas brigas entre as pessoas lembra aquela zoeira boa, a baderna de toda a escola vaiando e gritando por quem estava brigando, tumultuando todo o pátio, chamando a atenção dos diretores e coordenadores da escola. Após o desfecho ouviam-se os comentários, as palavras de força para quem apanhou e a gloria para quem ganhou, eram sempre assim, só os personagens que mudavam.
Todas as cartas enfeitadas por papeis com detalhes, folhas de diário com desenhos, as letras bonitas e feias. Todos os recadinhos escritos nas folhas dos cadernos como atividade, pois assim ficava mais fácil conversar sem que o professor percebesse, o melhor de tudo era quando ele pegava as conversas e lia em voz alta, todos caiam no riso.
O desabrochar das rosas, todos aqueles olhares esperançosos obtendo informações sobre os desejados. Os primeiros amores, as primeiras batidas mais fortes do coração, os tantos primeiros beijos e namorados, os sentimentos incabíveis por estar com os hormônios muito apurados e a ponto de serem expostos, os amores inconcebíveis pela diferenciação de série. O mais importante foram os choros pelos amores acabados ou não iniciados, não, os choros não, pois são tristes, os amigos sim são os mais importantes porque sempre estavam chorando com você, te dando as duas mãos o corpo e a alma, só para não te ver aos prantos.
Tudo isso foi vivido e eternizado nas nossas lembranças, vivemos isso juntos. Agora restam as fotos, os vídeos e a memória. É, esse tempo passou, agora é bola pra frente. O importante é ter vívido e feito tudo que queria fazer. O único problema é essa saudade de ti, meu velho amigo, que a todo o momento ela ataca-me sem pedir permissão. Essa foi à única maneira que encontrei para tentar matá-la. E assim continuo a viagem no meu trem.
Weudys Menezes de Moraes
